ÔĽŅ PET Programa de Engenharia de Transporte - COPPE/UFRJ Transporte, Mobilidade e Desenvolvimento Urbano

PET Programa de Engenharia de Transportes - COPPE/UFRJ

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Transporte, Mobilidade e Desenvolvimento Urbano

 

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Rede Ibero-americana de Estudo em Polos Geradores de Viagens

Editora Elsevier

ISBN-13: 978-85-352-8733-2 

S√≠ntese do Livro: 

A preocupação com a mobilidade urbana e seus efeitos é antiga como confirmam registros históricos observados em Roma há mais de dois mil anos. O mesmo se verifica com os transportes, com suas distintas modalidades e tecnologias acompanhando a história da humanidade e tendo papel fundamental na ocupação do território e em seu desenvolvimento.

Os transportes se caracterizam por obras de capital intensivo bem como por provocar potenciais externalidades para se atender as necessidades de mobilidade da popula√ß√£o, com qualidade a seus usu√°rios e m√≠nimos impactos negativos nas dimens√Ķes sociais, econ√īmicas, ambientais e culturais. Tal processo de previs√£o e tratamento envolve uma dada complexidade que tende a aumentar no Brasil fruto do seu not√°vel crescimento de urbaniza√ß√£o, do aumento significativo da taxa de motoriza√ß√£o, tamb√©m pelas desigualdades espaciais observadas em nossas metr√≥poles, em termos de infraestrutura e servi√ßos de transportes, bem como de oportunidades e empregos, que acentuam a dificuldade para administr√°-las. Por outro lado, se os transportes causam problemas (congestionamentos, acidentes de tr√Ęnsito, degrada√ß√£o ambiental) podem tamb√©m se tornar ve√≠culos de mudan√ßas e melhorias sociais, sendo, para isto, imprescind√≠vel o uso do planejamento e projetos devidamente fundamentados por t√©cnicas apropriadas e profissionais capacitados.

Apesar disso, o planejamento em nosso país é pouco valorizado. Um exemplo é que a partir da Lei n o 12.587/12, conhecida como Lei Nacional de Mobilidade Urbana, passou a ser obrigatória, aos municípios com mais de 20 mil habitantes, a elaboração de Planos de Mobilidade Urbana, entretanto, sabe-se que relativamente poucos municípios realizaram seus planos. Dentre os diversos fatores causais para que isto tenha ocorrido, um deles refere-se ao uso de abordagens tradicionais, criticadas pela ênfase dada ao tráfego motorizado e, em particular, aos automóveis, a não aderência às especificidades locais e por compreenderem recursos financeiros e técnicos tipicamente não disponíveis nas prefeituras.

A preocupa√ß√£o com a sustentabilidade provocou mudan√ßas de paradigmas no planejamento de transportes, da mobilidade e do desenvolvimento urbano, destacando a fun√ß√£o da acessibilidade e contemplando avan√ßos metodol√≥gicos que representam um grande desafio t√©cnico e cient√≠fico no √Ęmbito internacional. O mesmo vale ao significado e utiliza√ß√£o dos conceitos intervenientes neste processo como ‚Äútransporte, acessibilidade, mobilidade e sustentabilidade‚ÄĚ, para os quais se constata ainda um uso indiscriminado e muitas vezes confuso destes termos, justificando delimit√°-los, fundament√°-los e melhor entender a rela√ß√£o entre eles.

Neste contexto se insere o Livro Transporte, Mobilidade e Desenvolvimento Urbano ‚ÄĒ publicado pela Elsevier e disponibilizado ao p√ļblico a partir de agosto de 2017 ‚ÄĒ com o ISBN:  978-85-352-8733-2. 

Este projeto coletivo teve a chancela da ANPET e da REDE PGV, bem como o apoio do CNPq. Contou com a participa√ß√£o dos seguintes 22 pesquisadores de dez Universidades do Brasil, Argentina, Fran√ßa, Reino Unido e Uruguai: Adriana Scovino da Rocha, UFRJ; Ana Paula Borba Gon√ßalves Barros, UniCEUB; Ana St√©fany da Silva Gonzaga, UFG; Andr√©a Justino Ribeiro Mello, CEFET/RJ; Angela Maria Gabriella Rossi, UFRJ; C√©sar Augusto Gonz√°lez Villada, UFRJ; Claudio Falavigna, Universidad Nacional de C√≥rdoba; Diego Hern√°ndez, Universidad Cat√≥lica del Uruguay; Elisabeth Poubel Grieco, UFRJ; Erika Cristine Kneib, UFG; Heloisa Maria Barbosa, UFMG; Juliana Muniz de Jesus Neves, Universidade de Paris; Licinio da Silva Portugal, UFRJ; Lorena de Freitas Pereira, UFRJ; Lucilene Moreira Pedro, UFRJ; Marcelino Aur√©lio Vieira da Silva, UFRJ; Marcos Ferreira, UFSCAR; Maria Teresa Araujo Cupolillo, UFRJ; Rosane Martins Alves, UFRJ; Suely Sanches, UFSCAR; Thiago Guimar√£es Rodrigues, Universidade de Leeds, Victor Hugo Gomes Albino, UFRJ.

Esta obra fornece um arcabou√ßo conceitual e uma concep√ß√£o metodol√≥gica ‚ÄĒ devidamente sistematizados e respaldados com base em ampla revis√£o bibliogr√°fica ‚ÄĒ que podem contribuir para aprimorar e complementar as abordagens tradicionais destinadas √† realiza√ß√£o de planos de mobilidade. Ela tem como alvo 3 campos t√≠picos de aplica√ß√£o: o urbano (no √Ęmbito da cidade ou metr√≥pole), o local (considerando o TOD ‚Äď Transit Oriented Development) e os Polos Geradores de Viagens (com √™nfase nas universidades). O procedimento proposto busca resgatar o protagonismo da mobilidade, objeto destes planos, e valorizar o papel da acessibilidade como instrumento de transforma√ß√£o dos padr√Ķes de viagens com foco na sustentabilidade. Para tal protagonismo, sugere-se conhecer a quantidade de pessoas que se deslocam, com quais motivos e em que condi√ß√Ķes isto ocorre ‚Äď o que pode expressar a mobilidade ‚Äď e se ela, a mobilidade existente, satisfaz ou n√£o as necessidades da popula√ß√£o e sua qualidade de vida. Caso n√£o, qual mobilidade deve ser considerada como meta e quais mudan√ßas na acessibilidade devem ser implementadas, atuando n√£o s√≥ nos transportes, mas tamb√©m aproximando as atividades das pessoas por meio de interven√ß√Ķes no uso do solo e na estrutura urbana.

O Livro √© constitu√≠do, al√©m da Introdu√ß√£o, por cap√≠tulos organizados em tr√™s blocos. No bloco I, pretende-se contextualizar e caracterizar os principais conceitos objeto desta publica√ß√£o, envolvendo o transporte, bem como a mobilidade das pessoas e o desenvolvimento urbano, incluindo, introdutoriamente, a acessibilidade. No bloco II, estrutura-se o procedimento proposto, baseado na acessibilidade orientada √† mobilidade sustent√°vel. No bloco III, s√£o apresentados alguns exemplos que servem para refor√ßar os conceitos e procedimentos formulados anteriormente. Eles ser√£o elaborados a partir dos principais atributos que expressam a mobilidade sustent√°vel, e que devem ser perseguidos, buscando medidas e estrat√©gias voltadas √† acessibilidade. Esta, por defini√ß√£o, considera coordenadamente a√ß√Ķes em transportes e no uso do solo, com vistas a se construir condi√ß√Ķes de acessibilidade que incentivem escolhas mais sustent√°veis, dentre as quais o uso das modalidades menos agressivas ambientalmente, mais efetivas socialmente e economicamente e com qualidade para seus usu√°rios.

Ressalta-se que o planejamento pressup√Ķe mudan√ßas e partilha de poder, al√©m de explicitar compromissos com a popula√ß√£o e os interesses coletivos, o que pode instigar poss√≠veis resist√™ncias por parte de alguns grupos influentes benefici√°rios do status quo, t√≠pico de pa√≠ses desiguais, como o Brasil. Nesse cen√°rio, para que os Planos de Mobilidade cumpram com a sua miss√£o transformadora, s√£o essenciais processos de decis√£o participativos, transparentes e respaldados pol√≠tica e tecnicamente em nossas cidades e metr√≥poles. Espera-se que a concep√ß√£o proposta neste livro contribua com a constru√ß√£o deste ambiente de an√°lise e decis√£o, considerando que ela: a) √© defendida por v√°rios trabalhos cient√≠ficos e por pr√°ticas bem-sucedidas; b) proporciona uma abordagem articulada dos conceitos de transporte, acessibilidade e mobilidade, permitindo melhor compreender a fun√ß√£o e as potencialidades de cada um deles e de como aproveit√°-los para promover a mobilidade e o desenvolvimento urbano sustent√°veis; c) estimula uma vis√£o interdisciplinar e integrada entre transporte e uso do solo na formula√ß√£o das estrat√©gias, derivadas da mobilidade atual e comprometidas com a mobilidade sustent√°vel; d) √© simples e flex√≠vel colaborando para a sua exequibilidade e compatibilidade com as nossas especificidades; e) inspira uma mobilidade alicer√ßada em estrat√©gias de acessibilidade focadas em princ√≠pios fundamentais, como redu√ß√£o das desigualdades, inclus√£o e justi√ßa social, redu√ß√£o da viol√™ncia no tr√Ęnsito, preserva√ß√£o ambiental e garantia de um servi√ßo de transporte mais igualit√°rio e digno para toda a popula√ß√£o.

Licinio da Silva Portugal (organizador) √© professor do Programa de Engenharia de Transportes da COPPE/UFRJ e coordenador da Rede √ćbero-Americana de Estudo em Polos Geradores de Viagens.

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