A eletrificação do transporte de cargas no Brasil ainda enfrenta desafios estruturais significativos. Atualmente, apenas 0,4% da frota nacional de caminhões é eletrificada, segundo dados da Mirow & Co., evidenciando que a transição energética no setor depende não apenas da adoção de veículos elétricos, mas, sobretudo, da existência de uma infraestrutura de recarga robusta e estrategicamente distribuída.
Apesar de o país contar com mais de 12 mil pontos de recarga, a maior parte é de baixa potência, voltada para veículos leves e concentrada em áreas urbanas. Em rodovias, a realidade é diferente: muitas não possuem acesso a redes de média ou alta tensão, essenciais para a instalação de carregadores ultrarrápidos. Esse cenário cria um gargalo logístico que limita a eletrificação do transporte de longa distância, restringindo iniciativas a projetos privados, geralmente vinculados a centros de distribuição.
Diante desse contexto, pesquisadores do Laboratório de Otimização e Sistemas de Informações Geográficas (OptGis), do Programa de Engenharia de Transportes da Coppe/UFRJ, estão desenvolvendo soluções inovadoras para orientar a expansão da infraestrutura de eletropostos no país. Sob a coordenação do professor Glaydston Ribeiro (PET/COPPE/UFRJ), o estudo utiliza modelos avançados de otimização que cruzam dados sobre a autonomia de veículos elétricos com os pontos de parada obrigatória dos motoristas.
A proposta permite que os caminhões realizem a recarga durante os períodos de descanso, aumentando a eficiência operacional e reduzindo custos logísticos. “A rede de transporte existe, mas precisamos de uma rede de alimentação para os eletropostos. O OptGis calcula onde o sistema elétrico local suporta essa carga extra sem colapsar, fornecendo um mapa técnico para orientar investimentos prioritários”, destaca o professor.
O avanço dessa linha de pesquisa foi impulsionado pela recente inauguração das novas instalações do OptGis, no Centro de Tecnologia da UFRJ, consolidando o laboratório como um hub multidisciplinar de inteligência aplicada à logística e à mobilidade sustentável. Equipado com infraestrutura computacional de alto desempenho, o espaço permite o processamento de modelos complexos em larga escala.
Com apoio de agências como a FAPERJ e o CNPq, o OptGis se posiciona como um importante centro de desenvolvimento de soluções para a transição energética no Brasil. Ao oferecer análises técnicas e recomendações estratégicas, o laboratório contribui diretamente para a tomada de decisão por parte de gestores públicos e empresas privadas, acelerando a descarbonização e promovendo uma logística mais eficiente, sustentável e alinhada às demandas do futuro.
Fonte: COPPE UFRJ