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O Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Transportes (PET) da COPPE/UFRJ alcançou a Nota 6 na Avaliação Quadrienal da CAPES, mantendo o mesmo conceito da avaliação anterior e consolidando-se entre os programas de excelência nacional e internacional na área de Engenharias I. De acordo com o Artigo 27 da Portaria CAPES nº 122, de 2021, a Comissão de Avaliação da Área recomendou a atribuição da nota máxima possível dentro do patamar de excelência ao programa, reconhecendo a consistência, a qualidade e o impacto das suas atividades acadêmicas, científicas e institucionais.
No parecer da comissão de área, o PET recebeu conceito “Muito Bom” nos três quesitos avaliados: Programa, Formação e Impacto na Sociedade, todos com peso 100. A apreciação geral destaca que o programa apresentou desempenho de alto nível em todos os itens analisados, refletindo a solidez do seu projeto acadêmico, a qualidade da formação oferecida aos discentes e a relevância social e científica das suas ações.
A avaliação também ressalta os avanços significativos alcançados pelo PET no quadriênio, especialmente no que se refere à internacionalização. O programa ampliou sua inserção no cenário internacional por meio da participação de docentes como editores de edições especiais de periódicos científicos internacionais, da atuação de professores convidados em eventos no exterior e da presença de membros do corpo docente em bancas de tese em instituições estrangeiras. Além disso, o PET possui convênios de cotutela, dupla diplomação e projetos de pesquisa desenvolvidos em redes de cooperação internacional, fortalecendo sua atuação global.
Outro ponto de destaque foi a forte inserção regional e nacional do programa, que mantém parcerias com órgãos públicos e empresas privadas para a resolução de problemas de gestão pública e da área de transportes. Essas ações ampliam o impacto do PET na sociedade e contribuem para a formulação de políticas públicas e soluções técnicas voltadas à mobilidade, logística e infraestrutura de transportes no país.
A comissão avaliadora também reconheceu a qualidade dos produtos acadêmicos e científicos gerados pelo programa, como relatórios técnicos, artigos publicados em periódicos de alto fator de impacto e palestras, que evidenciam a elevada sinergia entre a formação acadêmica, a produção científica e as aplicações práticas do conhecimento produzido no PET. A visibilidade e a transparência do programa também foram destacadas, com menção ao site institucional completo, informativo e bilíngue.
Com a manutenção da Nota 6, o Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Transportes da COPPE/UFRJ reafirma seu papel de referência na área, demonstrando excelência na formação de recursos humanos altamente qualificados, na produção de conhecimento científico e tecnológico e no impacto efetivo sobre a sociedade, contribuindo de forma decisiva para o desenvolvimento do setor de transportes no Brasil.
O Programa de Engenharia de Transportes (PET/Coppe/UFRJ) divulga o resultado da homologação das inscrições dos candidatos aos cursos de Mestrado e Doutorado referentes ao 1º período letivo de 2026.
Nesta etapa do processo seletivo, foram analisadas as inscrições recebidas, bem como a documentação exigida em edital, com o objetivo de verificar a conformidade dos dados e a elegibilidade dos candidatos para prosseguir nas próximas fases da seleção.
Para consultar a lista completa com o resultado da homologação das inscrições, acesse:
Os candidatos que tiveram suas inscrições homologadas estão aptos a participar das etapas seguintes do processo seletivo, conforme o cronograma e as orientações estabelecidas pelo Programa. Já aqueles que não tiveram a homologação confirmada devem verificar os motivos informados e, quando previsto, observar os prazos para interposição de recurso.
O PET reforça a importância de que todos os candidatos acompanhem atentamente as publicações oficiais, pois nelas constam as informações sobre prazos, etapas, resultados e eventuais convocações.
O Programa de Engenharia de Transportes deseja sucesso a todos os candidatos nas próximas etapas do processo seletivo.
Um novo estudo do Programa de Engenharia de Transportes (PET) da Coppe/UFRJ aponta os motivos pelos quais milhões de brasileiros continuam a usar motocicletas como principal meio de transporte, mesmo reconhecendo os riscos à segurança viária. A pesquisa, intitulada “Motivações e racionalidades pela escolha da motocicleta como meio de transporte individual na Região Metropolitana do Rio de Janeiro”, foi apresentada recentemente no evento Rio de Transportes 2025 e envolveu 2.616 motociclistas entrevistados.
Os resultados mostram que quase 100% dos participantes sabem que pilotar uma moto é perigoso, mas ainda assim permanecem nessa escolha devido às falhas estruturais dos sistemas de transporte coletivo e às condições urbanas que tornam a motocicleta mais eficiente para o deslocamento diário.
Segundo o estudo, fatores como rapidez, previsibilidade e custo-benefício tornam a moto uma ferramenta essencial para quem precisa se deslocar entre múltiplos pontos da cidade, especialmente em trajetos longos ou em regiões periféricas. Apesar de 98% dos entrevistados terem acesso ao transporte público, muitos consideram esse meio lento, caro e pouco confiável em comparação com a moto.
Os dados nacionais ressaltam a dimensão do fenômeno: a frota de motocicletas cresceu cerca de 18% entre 2023 e 2024, alcançando 28 milhões de unidades no país, e 1 em cada 4 domicílios brasileiros possui uma moto. Os próprios motociclistas responderam por 38,6% das mortes no trânsito em 2023, segundo o estudo.
Para os pesquisadores, a preferência pela motocicleta não é uma escolha livre, mas sim uma resposta às deficiências no transporte coletivo e no planejamento urbano. Conforme destacado no estudo, a moto se tornou uma “solução individual diante de uma falha coletiva”, símbolo das desigualdades e desafios das grandes cidades brasileiras.
Especialistas ouvidos na apresentação reforçam que melhorar a segurança no trânsito exige mais do que campanhas educativas ou fiscalização isolada, é necessário investir em políticas públicas estruturais, que fortaleçam o transporte público e as alternativas de mobilidade urbana para reduzir a dependência das motocicletas.
Fonte: Coppe/UFRJ – Planeta Coppe
Apesar da expressiva redução de 27,4% no preço do diesel vendido pela Petrobras às distribuidoras desde janeiro de 2023, o alívio não chegou de forma proporcional ao bolso do consumidor brasileiro. Enquanto o valor cobrado pela estatal caiu de R$ 4,05 para R$ 2,94 por litro, o preço médio nas bombas recuou apenas 6,9%, passando de R$ 6,51 para R$ 6,06, segundo dados do Ministério de Minas e Energia.
Para o professor Márcio D’Agosto, titular de Engenharia de Transportes da COPPE/UFRJ, o descompasso entre o preço de produção e o valor pago pelo consumidor final se explica pela estrutura complexa da formação de preços no Brasil. “O preço final do diesel é uma combinação de diferentes fatores, sendo o preço de produção, a parcela da Petrobras, o maior componente. Mas ele é apenas uma parte da equação. Há também os impostos federais e estaduais, o custo do biodiesel e as margens das distribuidoras e dos postos”, explica o pesquisador.
Um dos principais fatores que têm limitado a queda do diesel nas bombas é o retorno e o aumento da carga tributária. No fim de 2022, o governo federal zerou os impostos sobre o diesel para conter a alta de preços que chegou a R$ 7,67 por litro em julho daquele ano. Atualmente, os tributos federais voltaram a incidir, somando R$ 0,32 por litro. Já os estados, com a adoção do modelo de ICMS monofásico a partir de fevereiro de 2025, elevaram a cobrança de R$ 0,79 para R$ 1,12 por litro, um aumento de quase 42%.
Além dos impostos, o custo do biodiesel, que é obrigatoriamente misturado ao diesel no Brasil, também contribui para manter os preços elevados. Entre 2023 e 2025, o percentual de mistura subiu de 10% para 15%, enquanto o preço do insumo passou de R$ 0,58 para R$ 0,88 por litro. Como o biodiesel é atualmente mais caro que o diesel fóssil, o efeito final é de pressão adicional sobre o preço médio do combustível.
Para o professor Márcio D’Agosto, outro ponto crucial está na estrutura do mercado de distribuição. Ele aponta que a privatização da BR Distribuidora, hoje Vibra Energia, reduziu a capacidade do governo de influenciar os preços praticados. “O governo perdeu o controle sobre os preços das distribuidoras. Isso diminuiu a concorrência e enfraqueceu os instrumentos de política pública sobre combustíveis, que não são apenas uma questão econômica, mas também de segurança energética”, afirma.
No modelo atual, as distribuidoras compram o diesel puro da Petrobras, arcam com impostos, com o custo do biodiesel e com a logística de estocagem e transporte, e depois adicionam uma margem própria antes de repassar o produto aos postos. Essa margem, no entanto, não é pública. “Ela é um segredo comercial das distribuidoras, o que dificulta a transparência na formação do preço final”, observa D’Agosto.
O impacto do diesel caro é especialmente sentido no setor de transportes. Em 2024, o Brasil consumiu 67 bilhões de litros de diesel, combustível que responde por cerca de 60% do transporte de cargas no país. Em uma transportadora, o diesel pode representar até 40% dos custos operacionais, e o frete corresponde, em média, a 30% do preço final das mercadorias.
Apesar das críticas, a Petrobras afirma que não tem influência sobre os preços finais. Em nota, a empresa destacou que o valor cobrado pelas distribuidoras é apenas uma parte da cadeia, que inclui impostos, mistura de biodiesel e margens de distribuição e revenda. Já entidades do setor, como a Fecombustíveis e sindicatos do transporte, reconhecem que os custos cresceram e que a estrutura atual dificulta que os cortes promovidos pela estatal cheguem integralmente ao consumidor.
No cenário atual, especialistas concordam que a única forma de provocar uma queda significativa no preço do diesel seria a redução dos impostos. No entanto, isso implicaria uma renúncia fiscal estimada em cerca de R$ 75 bilhões por ano, somando União e estados, o que torna a medida politicamente e fiscalmente complexa.
Assim, mesmo com a Petrobras vendendo o diesel a preços cada vez mais baixos, o brasileiro continua pagando caro para abastecer, um reflexo direto de impostos elevados, custos do biodiesel e da dinâmica de um mercado de distribuição que, segundo o professor Márcio D’Agosto, ainda carece de maior transparência e concorrência.
Fonte: Economia uol
As ondas de calor extremas, cada vez mais frequentes e intensas em diversas regiões do mundo, já afetam diretamente a infraestrutura e a operação dos sistemas de transporte. Deformações em rodovias, empeno de trilhos, deterioração de pistas de aeroportos e alterações no comportamento de usuários e trabalhadores compõem um cenário desafiador, que pressiona serviços essenciais a operarem em condições inéditas — com reflexos diretos sobre segurança, confiabilidade e inclusão.
Esse diagnóstico integra o relatório “Ondas de Calor e Seus Efeitos nos Sistemas de Transporte: Uma Revisão Abrangente”, produzido por um painel internacional do Global Facility for Disaster Reduction and Recovery (GFDRR), do Banco Mundial, em parceria com a Universidade Purdue, nos Estados Unidos. O estudo contou com a participação da professora Andrea Santos, do Programa de Engenharia de Transportes (PET-Coppe/UFRJ), que integra o grupo responsável por reunir e analisar evidências científicas sobre os efeitos do calor extremo em ativos e operações de transporte, com foco especial em países de baixa e média renda.
O documento examina impactos físicos, operacionais e comportamentais em diferentes modais — rodoviário, ferroviário, aéreo, transporte público e mobilidade ativa. Em todos os casos, a conclusão converge: as altas temperaturas comprometem a integridade estrutural das infraestruturas, alteram padrões de uso e elevam riscos operacionais, exigindo medidas de adaptação mais robustas e abrangentes.
O relatório também evidencia desigualdades sociais que ampliam a vulnerabilidade ao calor. Elementos como renda, idade e gênero influenciam diretamente os riscos enfrentados por usuários e trabalhadores, como idosos submetidos a longos períodos de espera e profissionais atuando em ambientes externos sob temperaturas extremas. Para o grupo de pesquisadores, incorporar critérios de equidade é indispensável para a construção de soluções eficazes, sustentáveis e socialmente justas.
A publicação é acompanhada pela nota técnica “Preparando Sistemas de Transporte Resilientes para Ondas de Calor”, que sintetiza os principais impactos identificados e apresenta estratégias práticas para mitigação e adaptação. Entre as recomendações do painel estão a identificação de vulnerabilidades críticas, o desenvolvimento de caminhos flexíveis de adaptação, o aprimoramento da governança em situações de calor extremo e a implementação faseada de medidas. O documento também alerta para efeitos indiretos de soluções tecnológicas, como pavimentos resfriados que, embora reduzam a temperatura superficial, podem refletir calor adicional para pedestres.
Ao unir base científica, análise técnica e diretrizes estratégicas, o estudo oferece subsídios essenciais para que países e cidades se preparem para o “perigo silencioso” representado pelas ondas de calor. Para a professora Andrea Santos, a cooperação internacional é decisiva: sistemas de transporte resilientes ao calor constituem não apenas uma resposta necessária às mudanças climáticas, mas também um investimento em segurança, eficiência e justiça social.
Fonte: COPPE UFRJ